sexta-feira, 20 de maio de 2011

22º Velha Infância


“Em tempos passados a sociedade vivia totalmente diferente. Consegue imaginar Jonn [pausa] Jonaan isso né? Acredita que meu tio passeava com seu fusca verde nas areias da praia? Hoje nem cachorro pisa direito nesses ambientes. Lembro-me também da minha mãe com seu rosto todo cheio de maquiagem fumando um cigarro com estilo que só as damas daquela época tinham [suspiros].

A sociedade buscou tanta liberdade que mau perceberam a perda valores maravilhosos. Estou falando demais? Consegue entender minhas velhas lembranças? Seu nome é muito bonito, mas ainda não consegui pronunciar direito. Com um pouco de paciência eu decoro.

Olhe isso [retirando de um velho álbum de casamento uma foto solta]. Essa aqui sou eu muitos anos atrás. Era carnaval, meu tio já falecido [olhando para cima] foi responsável pela arte. Ele adorou me ver de cigana, não era uma belezinha? Jonaan, falei certo agora? [fazendo cara de otimista] Você reparou na mão esquerda?

Naquela época não havia maldade alguma. Ai que vergonha dessa foto! Pois é a sociedade foi se modificando com discurso de liberdade ao ponto, ironicamente, ficar mais proibida. Isso tornou-se tão verdade ela mesmo não sabe lidar com fatos que eram comum na minha época. [outra pausa para beber um pouco d’água] Posso pedir um favor: gostaria de ver que vai fazer com ela antes? Agora vou mostrar as fotos do meu casamento, não era tão bonita, mas...”



Texto adaptado da ficção de John valente e de relatos reais de dona Leila.

Foto disponibilizada pela dona Leila.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

... Proposta Indecorosa



Sexta-feira, 13 de maio, 133 dia de um ano promissor, logo após almoço meu sócio muito amistoso entrega um bilhete com endereço de uma possível empresa para anunciar em nosso empreendimento:

- você agendou as 13:00 horas de hoje?

- Ele me disse que é um empresário bem sucedido na vida, e que estaria apenas hoje na cidade! [mostrando seu entusiasmo]

- Nossa tenho que sair então agora... Mas antes me responde uma coisa antes: onde fica o endereço avenida dos ipês amarelos n 31, bairro Nova Esperança?

- Com certeza deve ser um desses novos bairros que a cidade anda criando...

Sem mais conversa, partir como todo material de divulgação para não atrasar muito. No caminho o tempo mudou. As nuvens dominavam o céu impedindo que o sol mostrasse sua cara. Com certeza uma chuva lavaria o asfalto que irradiava calor.

Com muito custo achei a avenida num bairro muito estranho. Opostamente ocorreu para encontrar a empresa. Na rua só havia uma construção que não possuía acabamentos internos, e muito menos portões e janelas. Parei com minha moto para verificar se o número estava correto. Para meu espanto a construção estava deserta e deviria fazer muito tempo que alguém não “pisava” naquele local. As marcas depreciação ficaram evidentes com as infiltrações e lodo fixado nas paredes externas.

Preocupado com o fato pego meu celular para certificar o endereço com meu sócio. Acredito que ele não faria a maldade de brincar em plena sexta-feira 13 comigo. Para meu segundo espanto, meu celular não dava sinal para ligação no exato momento (13:13 hs). Nunca duvide que algo possa piorar, pois pode ter a certeza que tem como. Uma chuva bem forte começa lavar o bairro. Sem muita opção, corro para dentro da construção antiga.

Dentro sinto mais “protegido”. O local seria totalmente deserto se não fosse uma mesa e uma cadeira carunchada pelo tempo. Chego mais perto. “Que mesa antiga!” penso alto. Mesas pesadas e com madeira nobre não são encontradas com tanta facilidade em tempos atuais.

Um barulho repetitivo chega aos meus ouvidos. Uma torneira enferrujada fixada próxima da parede esquerda de quem olha para mesa pingava constantemente. Olho curioso para aquela torneira exclusiva da construção. Suas gotas possuíam um ritmo cadenciado: em cada 13 segundo elas caiam e tocavam o chão. Isso talvez justificasse o muro e sua infiltração. Engraçado como alguém não percebeu o valor maior no consumo de água.

Como tinha que aguarda a chuva passar, e encabulado com fato da torneira, começo contar os segundos para cada gota. Não seria possível que exatamente todas caírem com mesma fração de tempo. Quando chegou à décima terceira gota, ela não caiu. Pior, ela parou entre a torneira e chão. Num gesto impulsivo virou-me para a mesa e grito:

[John] - Filho de uma p....

[Destino] - É assim que você trata seu futuro parceiro? Responde sentado na cadeira de madeira com um charuto cubano na boca.

[John] - Como assim parceiro? Depois de tudo que você presenciou.

[Destino] - Trouxe você aqui nesse dia tão especial para lhe propor uma oferta para seu site: 99% de desconto em um amor correspondido. O que você acha? Seria algo viável? Olha que você é bem entendido no assunto. Levantando um enorme sorriso cínico em seu possível rosto.

[John] -Isso deve ser uma brincadeira?

[Destino] - Não preciso disso para dizer as verdades para pessoas como você. Modificando o tom de voz para mais grave.

[John] - O que mais você quer? Já não basta tudo que aconteceu?

[Destino] - Quero lhe mostrar que não se muda um “destino”?

[John] - Mas foi você mesmo quem disse que minhas façanhas superavam suas expectativas.

[Destino] - E como me lembro disso! Memória nunca foi meu problema... Aliás, fiquei sabendo que voltou a fumar. E ai aceita um cigarro?

Aproximo da mesa, pego o cigarro, e vejo que um olhar muito diferente de tempos passados.

[Destino] - Isso logo vai lhe matar, não sabia?

[John] - Há mortes internas piores.

[Destino] - Mortais... Balançando a cabeça. Como vocês são tão exagerados e sentimentais.

[John] - Juro que até agora não compreendo sua visita. Veio para tirar sarro da minha vida?

[Destino] - Você é muito teimoso mesmo... Não muda mesmo! Acho que ela disse para você, né? Não foi intencional. Sorrindo muito.

[John] - De que lado você está? Pensei que me ajudava nessa...

[Destino] - John, nunca disse que era a favor ou contra, apenas sabia o final dessa história. Pior, fiquei muito surpreso pelas suas atitudes e gesto na manifestação de sentimento. Principalmente nas últimas semanas juntos. Valente, você sabia de tudo. Não precisava eu parar o tempo e dialogar com você. Seu mundo tinha dias contados.

[John] - Você tem razão! No fundo sua presença criava-me esperança. Fui muito ousado como você mesmo disse, porém trapacear meu próprio destino gerou conseqüências desastrosas. Só mesmo criando um conto de fadas para amenizar isso.

[Destino] - Parabéns! Pela primeira vez entre todas as minhas visitas vejo você admitindo isso. Batendo a cinzas no chão.

[John] - Será que existe esperança de ser feliz algum dia?

[Destino] - Pergunta para o TEMPO! Cansei dessa história já. E a propósito vim pegar minha dívida, ou você quer os juros da eternidade sejam amortizados quando sua alma se for?

[John] - Que promessa?

[Destino] - Não se faça de esquecido. Sua vida mudou no dia 13 de julho de 2010. Nesse dia você fazia tatuagem, e encantava seu futuro amor no blog que mais importante de sua vida. Nesse meio tempo meu olhar mudou contigo quando peguei dizendo que essas seriam suas “ultimas fichas” para um Amor... Quem sabe eu consiga vende-lo para alguém que dê valor [pensando alto]. Por fim, sem mais voltas, hoje 13 de maio de 2011, aquela que também apostou suas últimas forças (tenho minhas dúvidas disso) está fazendo uma tatuagem com seu número da sorte. Eternamente vai lembrar-se de você, seja diretamente ou indiretamente.

[John] - Não compreendo o que quer de mim?

[Destino] - Calma ser ansioso! Eu vi sua promessa de que se não desse certo esse relacionamento, você literalmente desistiria de amar. E em troca de toda minha “ajuda” vim pegar meu prêmio: seu Amor. A partir de agora ele será aprisionado comigo. Nesse momento John Valente sente arrepios e um vazio imenso.

[John] - Isso é justo?

[Destino] - Aprenda pensar antes de dizer qualquer coisa! Foi mal novamente... Sei que era outra fala dela.

[John] - Um dia terei de volta esse sentimento?

[Destino] - Não posso responder isso. Acredito que eu já interferir muito. Porém vai uma dica: “procure o Anjo Torto, aquele que vive... o resto você já está cansado de saber...”

[John] - Olha que pensei que a chuva era um advento negativo.

[Destino] - Gostaria de ficar horas conversando. Acho você um ser fabuloso para um mortal. Eu disse para um mortal... Bem, foi um “prazer” fazer “negócio” com você. A gente se cruza um dia. SE CUIDA (foi mal, juro que dessa vez não foi de propósito)!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

21º Núvens sobre o satélite


OI felicidade desconexa

VIVO hoje sem localidade fixa

CLARO que ainda transmito emoções

TIM tendo mesmo não existindo mais sinal

Êta falta de comunicação!

terça-feira, 10 de maio de 2011

20º Lágrimas recalcada da dor de um Toreador



O dia que parecia infindável encontra sua sombra.

Caminho pelas longas avenidas que ainda são de paralelepípedos sobre uma lua linda.

Levanto um enorme sorriso com mesmo olhar de arco-íris para ela, e ela simplesmente retribui o gesto.

Não me canso de procurar o Anjo Torto. Acho que deve estar muito ocupado nesse mundo inesgotável de desejos.

Sento-me próximo de uma palmeira com se fizesse diferença a sombra dela. Por algum motivo aquele lugar me traz paz e lembranças de você.

Consigo algumas frases inesquecíveis são arrastadas: “John, você é maravilhoso, por isso merece uma pessoa melhor; Alguém que lhe faça feliz!”.

Nessas horas as lágrimas reprimidas modificam a tonalidade de minha roupa. Penso: “Como gostaria de ser uma pessoa besta ou normal, porém amável e compreendida por ela”.

Instantes depois uma nova sombra surge. Consigo traz uma grande amiga. Uma “amiga de vidas passadas” como dizia o Anjo Torto. Ela não se importa com a sujeira da quina da calçada.

Na verdade a dor de sua alma lhe atormentava muito mais que uma nova mancha em seu “All Star”. Seu rosto também escorria lágrimas. Essas lágrimas transbordavam saudades, esperança, e um sincero amor.

Como seria ótima a presença do Anjo Torto para nos dar colo. Mas hoje não era nosso dia! Havia muita tristeza compartilhada. Saudades de um tempo histórico e fabuloso. E por fim, uma brasa que não se apaga entre o peito.

Sentimentos polivalentes são trocados como notas de um guichê de ônibus. Irônico: O tempo castiga os segundos importantes de uma conversa, e tortura as horas quando estamos sozinhos.

A lua ainda sorria. A sombra da palmeira permanecia em função da luz do poste. O Anjo Torto esforçava para não sair da sombra. Minha amiga pegou trem das onze para chegar antes das dez. E eu, mero mortal, continuo exaltadamente apaixonado.