segunda-feira, 10 de outubro de 2011

24º Alusões para um mundo de um bico só


Um projeto sem execução

Um espetáculo sem expectativa

Uma insônia sonhando acordada

- Senhor isso não é para seu bico.



Um reflexo de um espelho quebrado

Um conto sem herói às avessas

Uma propagação de eco gripado

- Já pode aplaudir senhor, não haverá improviso.



Um nó a mais na forca da justiça

Um carrinho de bebê multado

Uma batida de sino antigo digital

- Senhor , não quero ser chato não: mas acabou...





Um fato extraordinário não presenciado

Um sentimento com ar comprimido

Uma epidemia com cura rápida

- Segurança, esse senhor já passou do limite!





“Percepções de uma fricção, emoção (O espetáculo é repetido pela décima terceira vez, mas ainda falta o improviso estacionar na vaga da memória). Cria-se uma criatura durante a gestação da beleza (Não se liberta aquilo que nunca foi preso). Num exato ponto de um ponteiro pontual com tic nervoso (Tarde demais para emoções precipitadas). ..”



Continua...

Continua...

Continua nesse fim sem final.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

23º Em busca de um sentimento exaltado



Levanto-me assustado... O relógio posicionado criado mudo “falava” que já eram 13:13 horas. Pergunto-me como fora possível dormir tanto tempo? Se não me falte a memória o despertador estava programado para velha rotina das 07:13. Irônico o fato da ressaca tremenda do aparelho!

Coloco o pé esquerdo no chão. Lembranças paulatinamente são apresentadas em minha mente insana. Seria possível que tudo não passou de um sonho? Com os olhos mais abertos verifico o bendito despertador. Acredito que não seria apenas o anjo que é torto.

Para meu espanto maior, abro a janela para dar aquele “bom d”... Melhor “boa tarde”, e me deparo com mundo preto e branco em minha volta. Poxa (penso alto), como alguém pode ser tão canalha de roubar um sentimento de um mero mortal? Sinto uma paz profunda que há tempo não pairava na minha humilde vida.

Minutos depois passeava pelo bairro. Uma praça (se é que pode chamá-la assim), que outrora fazia pessoas de idades felizes como suas práticas culturais, hoje nem encantava jovens. Penso como é possível um lugar público torna-se privado em questões de segundo. Quantas pessoas importantes passam em nossas vidas despercebidas... Uma gota d’água cai em minha testa (estou ficando velho, acertá-la agora não é uma tarefa árdua para São Pedro).

... Uma praça deserta em pleno domingo, um gota de chuva e um visão cinzenta da vida isso só podia ser obra do Destino mesmo. E eu que achei que tinha a proteção de um anjo... Quem mandou depositar tanta confiança nesses seres amorais!

Sento-me no banco do meio. Na verdade a praça possuía apenas três bancos. De certo não queriam mesmo manter o movimento que antigamente tinha. Olho para céu. A lua acordara mais cedo do que eu, e pior estava de mau humor (dessa vez nem um sorriso me deu). Volto minha atenção para escritos no próprio banco: Nicolas e Dayana (sobre um desenho de coração). Lembro-me de um filósofo muito debatido na faculdade ao lado. “ O que é melhor para um rei: ser amado ou ser temido?”. Pois bem, meu sentimento de amar foi negociado numa aposta injusta e mal conversado (eta ser que fala demais). Sobrava a segunda opção.

John Valente não poderia ser temido. Não acredito que ele seria valente o suficiente para isso. E para qual razão ele seria assim. Essa história não poderia acabar assim... Muito menos por falta de opção.

Nesse instante passa uma senhora com um lindo cachorro (juro que gostaria de lembrar a raça, mas...). Para diminuir um pouco do vazio presente no meu coração quebro o silêncio:

[John Valente] - Que lindo o cachorro! Ele possui nome?

[Senhora de olhos verdes] - Boa tarde Jovem! Claro que possui... [fazendo a cara que não conhecia o estranho que passava a mão no cão] Seu nome é Marco Túlio.

Engraçado como um cão possui mais nomes próprios que muitas gentes que “passeiam” em nossa volta... Nesse momento Marco Túlio puxa sua dona como dissesse que o passeio é um ato exclusivo, e que ele tem que aproveitar o máximo possível. Despeço-me da senhora conservada pelo tempo mesmo sem saber o nome dela.

Voltando a foco do postulado: John Valente não seria temido nem por uma borboleta, imagina por um mundo que ele mesmo criou. Tento resgatar mais informações sobre o sonho, mas meu sentimento está mais duro e frio que o banco de pedra onde me acomodava.

O tempo para. Não que o destino tenha causado isso. Mas não o vejo da mesma maneira... Imagino que estou em num trono, onde sou o rei temido pela minha própria alma. Essa monarquia que tanto John Valente buscou em suas estórias acabar e vingar-se agora é uma espada mortal para sua existência. Seria o fim de John Valente? Escutei recentemente que um prefeito da década de 50 hoje era mendigo da cidade. Essa seria a inversão “destinada” a John? Seria John um ser errante, e não adaptável as mudanças?

Tantas perguntas para poucas respostas. Sinceramente não vejo que existe um raciocínio lógico nesse pensamento de banco de praça... Para falar bem a verdade foi outro motivo que me fez sair de casa: o instinto primata de FOME. Levanto-me do banco. Caminho direto para padaria “rezando” para ela esteja aberta (engraçado como usamos essa palavra, mas não colocamos em prática seu real significado).

[atendente nova] - Pois não! O que o senhor gostaria?

[John Valente] - Eu gostaria de um litro de leite, 313 gramas de mussarela, e 213 gramas de presunto.

Minutos depois

[atendente nova] -Mais alguma coisa?

[John Valente] - Gostaria de algo de sobremesa, o que você me sugeri?

[atendente nova] – bemmm... [passando a mão na nuca] Gosta de sonho?

[John Valente] - sonho?

[atendente nova] - Sim, sonho. Acredito que vá gostar! Esse sonho tem muita história, e por esse motivo ele é tradicional aqui.

[John Valente] - sonho? História? Achando tudo irônico

[atendente nova] Então... Hoje completa trinta e um dias que trabalho aqui, um mês para ser mais exato. E uma das coisas que fiquei mais curiosa foi à história do sonho. Pois é! O padeiro sofria muito de pesadelos. Toda vez seu adorável sono era perturbado. E pior, depois quem disse que ele conseguia dormir novamente. Por um bom tempo ele sofreu de insônia. Remédio? Que nada! O maldito pesadelo não era dominado por essas drogas.

[John Valente] - E o que isso tem a ver com o sonho de padaria. [escutando sua barriga fazer um “pesadelo” de barulho]

[Atendente nova] - Calma... Um dia apareceu na padaria uma senhora. Ele fumava um cigarro na calçada. E mesmo sem conhecê-lo, ela comenta: “Para resolver seus problemas pegue sua sincera sorte e transforme em felicidade”. Por mais simples que isso pareça, o padeiro ficou incomodado com aquilo. Alguns dias depois ele decidiu fazer o melhor sonho da região. E para seu diferencial, ele fazia na quantidade do número do jogo do bicho que ele a vida inteira apostou. Depois disso nunca mais ele teve pesadelo. E melhor, seu sonho tornou o mais conhecido pela região... A propósito esse é o último de hoje.

Como é possível uma simples crendice fazer coisas que a ciência não explica. De fato o sonho estava muito apetitoso na prateleira. E não importava naquele momento se era uma estratégia de venda...

[John Valente] -tá bom! Você me convenceu. Eu vou levá-lo. Mas responda uma coisa: quantos ele produz ao dia?

[Atendente nova] - Apenas treze. Embrulhando o sonho.

Juro que pensei dizer coisas, e mais coisas... Respirei, paguei e sai. Agora não era mais o Destino que me incomodava, mas sim minha vida. Ela está sendo muito irônica comigo. Ainda encontro o anjo torto, seja em sonhos de padaria, ou em sombras de uma rua sem saída.

Aquele dia era o dia mesmo. Olho para os pequenos arbustos da entrada da faculdade. Num deles tinha uma borboleta amarela. Verdade, número treze é borboleta no jogo (penso alto). Continuo a volta. Passo na frente do Bar de São Pedro, e adivinha que eu vejo jogando truco em plena luz do dia...

Continue...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

22º Velha Infância


“Em tempos passados a sociedade vivia totalmente diferente. Consegue imaginar Jonn [pausa] Jonaan isso né? Acredita que meu tio passeava com seu fusca verde nas areias da praia? Hoje nem cachorro pisa direito nesses ambientes. Lembro-me também da minha mãe com seu rosto todo cheio de maquiagem fumando um cigarro com estilo que só as damas daquela época tinham [suspiros].

A sociedade buscou tanta liberdade que mau perceberam a perda valores maravilhosos. Estou falando demais? Consegue entender minhas velhas lembranças? Seu nome é muito bonito, mas ainda não consegui pronunciar direito. Com um pouco de paciência eu decoro.

Olhe isso [retirando de um velho álbum de casamento uma foto solta]. Essa aqui sou eu muitos anos atrás. Era carnaval, meu tio já falecido [olhando para cima] foi responsável pela arte. Ele adorou me ver de cigana, não era uma belezinha? Jonaan, falei certo agora? [fazendo cara de otimista] Você reparou na mão esquerda?

Naquela época não havia maldade alguma. Ai que vergonha dessa foto! Pois é a sociedade foi se modificando com discurso de liberdade ao ponto, ironicamente, ficar mais proibida. Isso tornou-se tão verdade ela mesmo não sabe lidar com fatos que eram comum na minha época. [outra pausa para beber um pouco d’água] Posso pedir um favor: gostaria de ver que vai fazer com ela antes? Agora vou mostrar as fotos do meu casamento, não era tão bonita, mas...”



Texto adaptado da ficção de John valente e de relatos reais de dona Leila.

Foto disponibilizada pela dona Leila.