sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

25º Uma Conversa Com Destino

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Hospital Jean-Paul Sartre; Décimo terceiro dia do ano promissor ao que antecede o fato relatado; Próximo de uma mesa com café feito por um coador de pano comprado pela dona Isadora, duas pessoas com muitas horas de plantão trocam experiências exaltadas:


- Você viu o estado clínico do paciente do quarto 713?
- Um milagre confesso.
- Que nada! Na semana passada eu mudei minha concepção sobre a fé.
 - Esse lugar anda bem estranho...

Uma voz feminina sai da caixa amplificadora acima da antiga esterilizadora jogada no canto: 


- Dr. José Alvarenga Lauro compareça na sala de emergência. [pausa] Dr. José Al......

“Que saudade daquele tempo! Não aceitava sua presença de maneira alguma; Sei muito bem que não era culpado; Minhas asas arrepiam de lembrar... Conceitos evolutivos tolos! Não me arrependo sequer um dia da designação em ser sua protetora. Muito menos sendo um anjo torto”

- Rápido!O paciente se encontra numa parada cardiorrespiratória.
...
- Quanto tempo isso?
...
-Por que da demora?
...
-Lembre sempre disso: somos médicos, e não Santos.

Boa tarde Querido Diário! 


“Com muita tristeza apoio essa caneta tinteira; Quero muito relatar esse momento inesquecível... Admito que nunca em toda minha existência possui tamanha ousadia; Proporcionalmente atrevo-me a questionar os sentimentos exaltados de mortais. Por fim anseio o entendimento sobre o fato em ordem maior.”


Um barulho agudo contínuo...................


- infelizmente o paciente não resistiu. Fizemos o possível.



T..
.T.
..T

- Milagre! Como isso é possível?

“Percepções de uma fricção, emoção (O espetáculo é repetido pela décima terceira vez, mas ainda falta o improviso estacionar na vaga da memória). Cria-se uma criatura durante a gestação da beleza (Não se liberta aquilo que nunca foi preso). Num exato ponto de um ponteiro pontual com tic nervoso (Tarde demais para emoções precipitadas). ..”

E o relógio digital com som de sino pausa novamente:

- Puta que pariu! Você quer acabar com minha reputação?[Destino]
- Finalmente Sr Destino! Saudações em vê-lo. Pensei que demoraria a eternidade [com asas abertas e com suas mãos no paciente]. [Victória]
- Saia de cima dessa alma. Você já é bem experiente para dar-lhe explicações sobre ciclos vitais. [Destino]
- Pessoalmente o senhor não é tão bonito assim como dizem. [Victória]
- Seres “angelicais” de merda [acendendo seu velho charuto]. Então “praga que voa” seja breve, ou acha que não compreendo suas atitudes com intuito de chamar minha atenção? [Destino]
- Não tinha outra escolha para isso. [Victória]
- Está ciente das conseqüências que você sofrerá? [Destino]
- Tudo possui um preço nessa vida! [Victória]
- Putz! Até parece um mortal dizendo. Pois bem a “festa” tá boa, mas o convidado principal precisa ir... [Destino]
- Espere! Quero falar sobre John Valente. [Victória]
- O que tem ele haver com essa história? [Destino]
- Sabe que meu posto permite saber as datas das mortes dos meus protegidos. Porém não posso de maneira alguma modificar isso. [Victória]
- Humm. Que dizer que logo ele morrerá né? [Destino]
- Perfeito seu raciocínio. [Victória]
- E daí?
- Quero lhe fazer uma proposta indecorosa. Ou você não é mais o “mestre” nisso? [Victória]
- Vejamos o que tem para ofertar? [Destino]
- Ofereço-lhe minhas assas! [Victória]
- Sério? Caralhooo, você gosta muito desse ser... E onde eu participo?
[Destino]
- Não deixe morrer tão jovem... Sei que é capaz disso. Suas agiotagens alcançaram famas imagináveis. [Victória]
- Olhe como fala comigo! Veja bem não acho sua proposta ruim [jogando cinzas no corpo do paciente]... [Destino]
- Não faça isso com a pobre alma! [Victória]
- Caso referir-se ao paciente: ele morrerá mesmo depois dessa conversa. [pausa]. Victória, isso né? Suas assas são muito valiosas [pensando alto]. Não... Não vou aceitar não. [Destino]
- Suplico. [Victória]
- “Não se muda um Destino traçado tão fácil assim”. E muito mais se nele incluir a morte outro tipo de ser... Um conselho caso goste tanto dele: aproveite os momentos restantes. [Destino]
- Seu cretino! Na hora de levar o amor de John não pensou duas vezes. [Victória]
- Negócios são negócios. Eu tinha um tratado com ele, bem diferente da situação presente. [Destino]
- Sinceramente você me dá nojo! [Victória]
- Não preciso mais do que isso ser eternamente Feliz. Victória: tenho que ir. Mande lembranças para John. Diga que faria o mesmo com qualquer outro mortal. E você, Anjo Torto, espero que não me incomode por umas boas gerações. Se cuida! [Destino]

Assim um barulho contínuo permaneceu no ambiente....   


Victória
Relatos Exaltados de um Anjo torto